Quando a Ortognática Transforma o Sono: Benefícios Respiratórios da Cirurgia Ortognática
A cirurgia ortognática é reconhecida principalmente pelos benefícios estéticos faciais, correção da oclusão dentária e harmonia facial. Mas há outra dimensão frequentemente subestimada: os efeitos positivos sobre a respiração e a qualidade do sono. Muitos pacientes com deformidades dentoesqueléticas — como retrognatismo mandibular ou má oclusão severa — também apresentam distúrbios respiratórios (ronco, apneia obstrutiva do sono, sensação de “pescoço apertado” à noite). A correção cirúrgica ortognática pode gerar mudanças anatômicas que melhoram essas condições, proporcionando não só estética e função mastigatória, mas saúde integral.
Como a Ortognática Interfere no Sistema Respiratório
- Reposicionamento ósseo que abre espaço para vias aéreas superiores
Movimentos cirúrgicos de avanço mandibular ou avanço duplo (maxila + mandíbula) podem aumentar o espaço da via aérea superior — especialmente na região da faringe — diminuindo a resistência ao fluxo de ar durante o sono. - Redução do colapso de tecido molhado
Com melhor suporte estrutural (ossos, músculos, tecidos moles), há menor tendência ao colapso ou vibração de tecidos durante a inspiração noturna, o que reduz roncos e episódios de apneia. - Melhora da postura mandibular e da língua
Em casos de retrognatismo ou outras deformidades, a língua pode recuar durante o sono, obstruindo a via aérea. Ao avançar a mandíbula, cria-se mais espaço para posicionamento natural da língua, mitigando esses problemas. - Influência sobre o diafragma e musculatura respiratória
A posição da mandíbula altera a biomecânica facial e cervical, o que pode refletir na postura global do pescoço e coluna cervical — fatores que modulam a respiração torácica e diafragmática.
Evidências e Resultados Clínicos
- Pacientes submetidos a cirurgia ortognática frequentemente relatam diminuição do ronco e melhora nos índices de apneia, testados por polissonografia, após o avanço mandibular ou osteotomias duplas.
- Há relatos de melhora da saturação de oxigênio noturna, redução de despertares, menos micro despertares, e, consequentemente, melhor rendimento diurno.
- Melhora no cansaço diurno, no humor e no bem-estar geral — aspectos que pacientes nem sempre relacionam diretamente à ortognática, mas que mudam muito.
Quem pode se beneficiar mais
- Pacientes com deformidades dentoesqueléticas que também apresentem apneia do sono ou ronco significativo.
- Indivíduos com retrognatismo mandibular severo, maxila retraída, ou discrepâncias sagitais que limitam a via aérea.
- Pacientes com histórico de uso de CPAP ou outras terapias para apneia, que desejam uma solução mais estrutural.
- Aqueles cujas queixas diurnas (sonolência, fadiga) estão afetando qualidade de vida.
Planejamento e Cuidados
- Avaliação completa pré-operatória: polissonografia, exame clínico das vias aéreas, tomografia/CBCT para análise anatômica das vias aéreas superiores.
- Simulação digital para prever quanto de avanço ósseo será preciso para melhorar a via aérea sem comprometer estética ou função.
- Estudo de riscos: articulações temporomandibulares, função deglutória, fala, estética facial. É importante equilibrar os ganhos respiratórios com os demais impactos.
- Equipe multidisciplinar: ortodontista, fonoaudiólogo, otorrinolaringologista podem contribuir para otimizar o resultado.
Desafios e Limitações
- Nem toda cirurgia ortognática garante melhora respiratória significativa — depende muito da anatomia individual.
- Alguns pacientes têm deformidades combinadas ou tecidos moles muito alterados; nesses casos, cirurgia facial pode não resolver completamente o problema respiratório.
- O pós-operatório pode incluir inchaço, dor, dificuldade de adaptação, o que pode temporariamente piorar a respiração antes de melhorar.
- Acesso à avaliação e follow-up de sono ainda é limitado em muitas regiões — é importante garantir acompanhamento adequado.
A cirurgia ortognática vai além da estética e da oclusão: ela pode alterar significativamente a qualidade do sono, aliviar sintomas de apneia, melhorar a oxigenação e impactar de modo profundo o bem-estar do paciente. Essa faceta respiratória é um diferencial que muitos pacientes desconhecem, mas que pode justificar a cirurgia não apenas por motivos estéticos, mas sobretudo de saúde.
Se você está considerando uma correção ortognática, converse com seu cirurgião sobre avaliações de sono, exames específicos e se sua anatomia permite ganhos funcionais respiratórios.
Atendemos em Blumenau/SC




Deixe seu comentário