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Quando a Ortognática Transforma o Sono: Benefícios Respiratórios da Cirurgia Ortognática

A cirurgia ortognática é reconhecida principalmente pelos benefícios estéticos faciais, correção da oclusão dentária e harmonia facial. Mas há outra dimensão frequentemente subestimada: os efeitos positivos sobre a respiração e a qualidade do sono. Muitos pacientes com deformidades dentoesqueléticas — como retrognatismo mandibular ou má oclusão severa — também apresentam distúrbios respiratórios (ronco, apneia obstrutiva do sono, sensação de “pescoço apertado” à noite). A correção cirúrgica ortognática pode gerar mudanças anatômicas que melhoram essas condições, proporcionando não só estética e função mastigatória, mas saúde integral.

Como a Ortognática Interfere no Sistema Respiratório

  1. Reposicionamento ósseo que abre espaço para vias aéreas superiores
    Movimentos cirúrgicos de avanço mandibular ou avanço duplo (maxila + mandíbula) podem aumentar o espaço da via aérea superior — especialmente na região da faringe — diminuindo a resistência ao fluxo de ar durante o sono.
  2. Redução do colapso de tecido molhado
    Com melhor suporte estrutural (ossos, músculos, tecidos moles), há menor tendência ao colapso ou vibração de tecidos durante a inspiração noturna, o que reduz roncos e episódios de apneia.
  3. Melhora da postura mandibular e da língua
    Em casos de retrognatismo ou outras deformidades, a língua pode recuar durante o sono, obstruindo a via aérea. Ao avançar a mandíbula, cria-se mais espaço para posicionamento natural da língua, mitigando esses problemas.
  4. Influência sobre o diafragma e musculatura respiratória
    A posição da mandíbula altera a biomecânica facial e cervical, o que pode refletir na postura global do pescoço e coluna cervical — fatores que modulam a respiração torácica e diafragmática.

Evidências e Resultados Clínicos

  • Pacientes submetidos a cirurgia ortognática frequentemente relatam diminuição do ronco e melhora nos índices de apneia, testados por polissonografia, após o avanço mandibular ou osteotomias duplas.
  • Há relatos de melhora da saturação de oxigênio noturna, redução de despertares, menos micro despertares, e, consequentemente, melhor rendimento diurno.
  • Melhora no cansaço diurno, no humor e no bem-estar geral — aspectos que pacientes nem sempre relacionam diretamente à ortognática, mas que mudam muito.

Quem pode se beneficiar mais

  • Pacientes com deformidades dentoesqueléticas que também apresentem apneia do sono ou ronco significativo.
  • Indivíduos com retrognatismo mandibular severo, maxila retraída, ou discrepâncias sagitais que limitam a via aérea.
  • Pacientes com histórico de uso de CPAP ou outras terapias para apneia, que desejam uma solução mais estrutural.
  • Aqueles cujas queixas diurnas (sonolência, fadiga) estão afetando qualidade de vida.

Planejamento e Cuidados

  • Avaliação completa pré-operatória: polissonografia, exame clínico das vias aéreas, tomografia/CBCT para análise anatômica das vias aéreas superiores.
  • Simulação digital para prever quanto de avanço ósseo será preciso para melhorar a via aérea sem comprometer estética ou função.
  • Estudo de riscos: articulações temporomandibulares, função deglutória, fala, estética facial. É importante equilibrar os ganhos respiratórios com os demais impactos.
  • Equipe multidisciplinar: ortodontista, fonoaudiólogo, otorrinolaringologista podem contribuir para otimizar o resultado.

Desafios e Limitações

  • Nem toda cirurgia ortognática garante melhora respiratória significativa — depende muito da anatomia individual.
  • Alguns pacientes têm deformidades combinadas ou tecidos moles muito alterados; nesses casos, cirurgia facial pode não resolver completamente o problema respiratório.
  • O pós-operatório pode incluir inchaço, dor, dificuldade de adaptação, o que pode temporariamente piorar a respiração antes de melhorar.
  • Acesso à avaliação e follow-up de sono ainda é limitado em muitas regiões — é importante garantir acompanhamento adequado.

A cirurgia ortognática vai além da estética e da oclusão: ela pode alterar significativamente a qualidade do sono, aliviar sintomas de apneia, melhorar a oxigenação e impactar de modo profundo o bem-estar do paciente. Essa faceta respiratória é um diferencial que muitos pacientes desconhecem, mas que pode justificar a cirurgia não apenas por motivos estéticos, mas sobretudo de saúde.

Se você está considerando uma correção ortognática, converse com seu cirurgião sobre avaliações de sono, exames específicos e se sua anatomia permite ganhos funcionais respiratórios.

Atendemos em Blumenau/SC

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